terça-feira, 24 de julho de 2012

Sobre o Blog...

Esse blog foi criado no intuito de trazer informações a respeito da cidade de Bragança, sua Arte, Literatura e Particularidades!

This blog was made to give you more informations about some cultural aspects from Bragança city.

Professor José Guilherme fala sobre o Programa de Pós-Graduação Linguagens e Saberes na Amazônia


Entrevista realizada com o Coordenador do Programa de Pós Graduação em Linguagens e Saberes na Amazônia (PPGLS), o Professor Dr. José Guilherme dos Santos Fernandes.

Interview conducted with the coordenator of the post-graduate program in Speech and Knowledge in Amazonia (PPGLS), Dr. J. G. S. Fernandes.



O Professor José Guilherme dos Santos Fernandes é graduado na área de Letras Língua portuguesa pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e a partir do Doutorado faz grande diálogo entre a Literatura e a área de Estudos Culturais, Antropologia, Sociologia e História (interdisciplinaridade).

J. G. S. Fernandes graduated in Letras Língua Portuguesa (Portuguese Language) at the Federal University of  Pará (UFPA) and on behalf  of the doctorate, is making a rich dialogue between literature, cultural studies, anthropology, sociology, and history (interdisciplinary).

Entrevistador: O PPGLS foi procurado no último PS mais por pessoas daqui da região Bragantina, o que o Prof. tem a dizer para que ele seja mais conhecido?

Professor Dr. Guilherme Fernandes: O programa de Pós-graduação, naturalmente tem concorrência de um vestibular, então, as vagas são restritas, ainda mais no programa que está finalizando agora a segunda seleção, que ofertamos um número razoável, 21 vagas e na primeira seleção foram 12 vagas, proporcionalmente teve muitos candidatos, foram, acho que 110 esse ano, para 21 vagas. Houve até uma diminuição, pois a primeira oferta foram 148 para 12 vagas, se eu colocar na ponta do lápis dá de 8 a 10 por vaga.  Por isso é Stricto sensu, porque é um aprendizado direcionado para uma determinada área. O programa é em letras, mas nem todo mundo de letras tem o perfil para fazer a seleção. Dentro da proposta, por exemplo, não trabalhamos com ensino-aprendizagem, então, quem está interessado em fazer ensino-aprendizagem tem que fazer mestrado em Belém, não aqui.

Interviewer: The PPGLS was chosen in the last PS (selective process) more by people around here in the region of Bragança, what would you say is needed for this PS be more well known?


Professor Dr. Guilherme Fernandes: The post-graduate program, naturally has a competitive entrance exam, so the vacancies are restricted, more in the program that is ending now than in the second selection, which is offering 21 vacancies which is a more reasonable number than the first selection which was 12.  Proportionally, we have had so many candidates, this year there were 110 for 21 spots.  There was even a decrease, because the first program had 148 candidates for 12 spots, which is roughly 8 or 10 people per vacancy. Strictly speaking, this is because it is a learning directed to a particular area.  The program is in Letras, but not everybody in Letras has the selection criteria. In the proposal, for example, we do not work with the Teaching and Learning program, so those who are interested in that will have to do their masters work in Belém, not here. 

Entrevistador: A Região Bragantina se diferencia das outras partes da região Norte, qual a relevância dessa região como campo de estudo?

Professor Dr. Guilherme Fernandes: Primeira coisa é que a Amazônia, a partir da colonização, começou por aqui. A gente tem um acumulo de histórias, leituras bem mais significativas, o acúmulo significativo do que em outras regiões da Amazônia, então acho que tem muita coisa que precisa se observar aqui, que não apenas a Marujada, não é só Esmolação, também é, mas tem muito mais, em relações étnicas, relações de gênero, relações de poder, acham que tudo isso é um campo fértil para os nossos projetos de pesquisa que trabalham com discursos. Por que as pessoas falam? Como elas falam? Por que elas falam isso? O jeito como eles falam tudo é campo muito fértil para nós que trabalhamos com linguagem.


Interviewer: The Bragança region distinguishes itself from others parts of the north, what is the relevance of this region as a study area?


Professor Dr. Guilherme Fernandes: The first thing is the Amazon, since the colonization began here. We have an accumulation of stories and very important readings, a significant amount of them more than in the other Amazon regions, so I think that we have a lot things to observe here, not just Marujada, not only Esmolação. These are important, but there is so much more; in ethnic relations, gender relations, relations of power.  I think that all of this is a productive area to our research projects working with speech. Why do people speak? How do they speak? Why are they saying what they are? The way in which they are speaking is a very rich area for those of us working with language.

Entrevistador: Quais Os Benefícios Que este Programa trará para a região Norte, e para a região Bragantina?

Professor Dr. Guilherme Fernandes.: Acredito que não é só em Bragança.Primeiro, você cria uma oportunidade maior para as pessoas.Segundo,distribuir uma cultura acadêmica na área de humanidades interdisciplinar, fomentar o surgimento de um ser crítico. Nessa direção, existem diferentes trabalhos, atualmente os da primeira turma que é a de 2011 e que estão sendo finalizados e que serão definidos enquanto dissertação de mestradoaté março de 2013.

Interviewer: What are the benefits which this program will bring to the North region and Bragantina region?


Professor Dr. Guilherme Fernandes: I believe that it is not only Bragança. First, you create a better opportunity for the people. Second, distribute an academic culture in the interdisciplinary humanities area; to help form the growth of a critical mind. In This direction, there are many different works currently, works which are from the 2011 class and they are being finished and they will be defended, as dissertation, until 2013.  

Entrevistador: Qual a sua visão entre cultura e arte?

Professor Dr. Guilherme Fernandes.: Diria que a arte faz parte da cultura. Para mim não existe melhor ou pior, o que temos que primar é pela interculturalidade dos saberes, por exemplo, vou morar em Ajuruteua e não sei pescar, não adianta nada eu ser doutor em letras, esse saber não vai me ajudar lá, pelo menos, de imediato para minha sobrevivência, pois eu tenho que adquirir o saber local, que é o saber do pescador para sobreviver. Tem gente que fala assim: ‘ah fulano não tem cultura’. Isso não existe porque do ponto de vista antropológico todo mundo tem uma cultura, porque todo mundo vive conforme as suas necessidades, conforme seus valores, conforme o meio em que mora e que pode gerar a possibilidade de vida, então em relação a isto existem saberes, e que eles devem ser aproximados, devem ser aplicados conforme cada realidade podem nos servir de imediato, mas o que a gente tem que fazer é encontrar lógicas parecidas entre esses saberes por que no fundo, todo saber é igual.

Interviewer: What is your view between culture and art?


Professor Dr. Guilherme Fernandes:I would say that art is a part of culture. For me, there’s no better or worse, we have to excel in the interculturality of knowledge. For example, I will live in Ajuruteua and I don’t know how to fish- it doesn’t help me to be a doctor of literature, this knowledge won’t help me there, at least immediately for my survival, because I have to get the local knowledge, the fisher’s knowledge used to survive. There are people who say: ‘He or she doesn’t have culture’. It doesn’t exist, because in the anthropologic view everybody has one culture in the world, because everybody lives according to their needs, according to their values, according to the place where they live and it can create a possibility of life. Then, according to it, there is knowledge and this knowledge should be approximated, they should be applied according to each reality, they can serve us in the immediate moment, but what we have to do it is to find similarities within knowledge, because all knowledge is really equal.

Entrevistador: Professor Guilherme, o que a arte representa para você?

Professor Dr. Guilherme Fernandes: A arte stricto senso é a arte feita por um autor único, então, há uma diferença entre o que a gente chama de arte popular. Tem uma coisa muito sútil aqui em Bragança que é a cultura da região dos Campos. Incorporadas, inclusive, na Marujada e Cavalhada.  A região dos Campos tem uma parte própria, acho que isso é uma versão que tem que começar a ver com mais cuidado, maior detalhamento, eu diria também que a própria culinária, a farinha bragantina enquanto uma prática ancestral que as pessoas compreendem como uma tradição, que é o pessoal do Camutá. Agora, aqui em Bragança, a arte no sentido de stricto senso, uma cara que tem chamado muita atenção é o Moacir Cardoso, de Augusto Corrêa, ele pinta muito bem, quem tem umas sacadas, pode ser uma grande novidade. Ele é um cara que tem conhecimento, mas a arte enquanto burguesa do individuo não é a arte popular, ainda nessa linha da arte individual, de autoria, o Toni Soares, ele faz todo um trabalho, a partir da figura popular da Esmolação, e fora coisas que temos pouco são os arquivos de família, os acervos que precisam de uma maior visibilidade aqui. O Jorge Ramos, outro dia, ele publicou um livro, então, ele é um poeta daqui, a obra dele é pouco circulada aqui, ele tem poesia de qualidade. Então, tem muita possibilidade seja na arte popular ou nessa arte individual, a arte clássica, canônica, que é muito importante para o nosso projeto de pesquisa.

Interviewer: Professor Guilherme what does art mean to you?


Professor Dr. Guilherme Fernandes: Art in the strictest sense is art made by a single author, so, there is a difference between that and what we call folk art. There's something very subtle here in Bragança which is the culture from Campos region, incorporated in Marujada and Cavalhada. This region has its own identity, I think it’s something you need to analyze more carefully. I also would say that dishes from Bragança region like Mandioca flour are an ancestral practice that people understand like tradition as people from the Camutá community. Now, in respect to art in the strictest sense, here in Bragança a guy who has received a lot of attention is Moacir Cardoso from Augusto Correa. He paints very well, he has some cool insights; he can be a great novelty. He’s a guy who has knowledge, but the art as bourgeois individuals isn’t popular art. Although author Toni Soares works from this particular line of art a lot, from popular figure of Esmolação to other things such as family archives, which need more visibility here. Jorge Ramos also has published a book, so he’s a poet from Bragança, his work is less seen by people from Bragança, but he has quality poetry. So, there are many possibilities in arts in Bragança as folk art or particular art, or classical art, o canonic art which are very important for our research projects.

Entrevistador: Existe uma economia da Cultura aqui na região?

Professor Dr. Guilherme Fernandes: Acho que ainda não existe uma economia da cultura aqui, você tem um período bom que é a Marujada, que vem muita gente, a Igreja ganha dinheiro com isso aí, mas fora isso... Por quê? Você tem que criar um calendário, você tem que criar uma demanda, você tem que criar propriedades para saber o que você pode querer apoiar pela prefeitura, pelo governo, enfim... Até com uma ação integrada da sociedade civil, então o que falta é isso. Para uma cidade que já teve cinema, acho que tá faltando retomar muita coisa aí, por quê? Porque falta politica publica, então porque as pessoas ainda não entenderam que eu posso ganhar dinheiro com a cultura vendendo, entre aspas, aí os produtos culturais?

Interviewer: Is there an arts and culture economy here in Bragança?


Professor Dr. Guilherme Fernandes:  I think that there does not yet exist a cultural economy here, you have a good period in Marujada, a time which Bragança receives many people from others regions, the Catholic Church gains money with it, but out of it… What? You have to create a calendar; you have to create a demand you have to create some organization to know what you want to ask support for from the prefecture, from the government… until there is an integrated action from civil society, so this is what is lacking. For a city which had a cinema, I think it’s missing many things there, Why? Because of public policy failure, so why haven’t people understood that you can gain money with culture, and selling cultural products?                    

Escritor Prof. Msc Carlos Dias Fala Sobre A Literatura



Entrevista com o professor Carlos Dias, formado em letras pela UFPA, com habilitação em Português e Francês e mestrado em Estudos Literários...


Interview with Professor Carlos Dias, graduate in Portuguese and French Language and Letters from UFPA and post graduate work in Literary Studies...  


1. Como surgiu o interesse pela literatura?


Carlos Dias- O meu interesse pela literatura surgiu pela leitura e por esse gosto em relação a criação de universos imaginários. A literatura tem esse poder não apenas de ser um passatempo, mas de dar um prazer também para quem ler. Esse gosto pela leitura me levou a conhecer vários autores.

1. How did your interest in literature begin?


Carlos Dias- My interest for literature began by reading and this idea of creating imaginary universes. Literature has this power not only to be a hobby, but also to give a pleasure to the reader. This love of reading has guided me to read a lot of different authors.
  
2. Como você define a literatura?

Carlos Dias-Bem, como uma das artes existentes, a literatura tem suas particularidades, se não, ela seria uma forma escrita como as outras. Definir a literatura sempre foi, para a crítica e estudo literário, muito complicado. Se você observar na história desses estudos, vai ver autores que se debruçaram sobre a pergunta: O que é literatura? O que é um texto literário? Então é muito difícil dar uma resposta exata do que é literatura. Mas podemos perceber alguma coisa em torno do que é literatura: essa criação textual, que usa a língua comumente utilizada por nós de uma forma estética que dá a ela novas dimensões; também o fato de você colocar ficcionalidade naquilo que escreve. Então existe um trabalho ficcional que acaba criando um universo verossímil, como se diz na literatura.


3. 2- How do you define Literature?


Carlos Dias- Well, as one of the existing arts, literature is unique, if not it would be a form of writing like any other. Defining literature always has been very complicated for critics and in literary study. If you look at the history of these studies you’ll see authors who were desperate about the question: “What is literature? What is a literary text?” It’s so difficult to give an exact answer about what literature is. But we can define close to it: a textual creation that uses normal language in an esthetic way to create new dimensions -- using fiction to tell a story.  So a fictional work exists that ends up creating a “verisimilar” universe, as they say in literature.


4. Como você vê a literatura na cidade de Bragança?

Carlos Dias-Bem, aquilo que é produzido aqui em Bragança, o que eu já pude observar e aprender em relação ao que foi feito aqui, grande parte foi produzido nos anos 60 e 70. A gente observa naquilo que é produzido aqui em Bragança que grande parte dos poemas são voltados pra uma espécie de saudosismo em relação a uma Bragança da Belle Epoque; também há autores que falam das belezas naturais dessa região. Hoje, existe uma safra de escritores ainda não conhecidos, na sua maioria são um pouco descritivistas, mas que produzem e não atentam muito pra questão poética e acabam por retratar nesses poemas as festas, por exemplo, a marujada, o dia o dia, o trabalho na roça, são temas recorrentes na literatura bragantina.

4. How do you see literature in Bragança?


Carlos Dias- Well, what is produced here in Bragança, at least what I could observe and learn concerning about what was done, is that the majority was produced in the 60’s and 70’s. In those productions we see that the majority of poems are about  a kind of saudosismo (a feeling of nostalgia) for Bragança in the Belle Epoque time; also there are authors who talk about the natural beauty of this region. Nowadays there are many largely unknown writers, the majority of whom are very concerned with description – but their productions are not very poetic -- they describe festivals like the Marujada, or daily life, work on the farm, these are all themes relevant to Bragança's literature.



5. Sua produção literária é voltada para que área?

Carlos Dias-Bom, eu gosto muito de escrever, tanto prosa como poema e já fui contemplado em 4 concursos de literatura, então creio que em algum momento isso agradou alguém. Eu sou meio suspeito pra falar daquilo que eu escrevo, mas acho que existe certa qualidade já que essas bancas de concursos me deram esse determinado crédito. A minha poesia é muito contemporânea, eu não tenho muita relação com rima e não são poesias muito amorosas. Grande parte da temática que eu uso em minhas poesias é a própria poesia, chamado meta-poesia, pois falo do ato de escrever e também discuto bastante essa relação entre o homem e a máquina, aquilo que é produzido hoje enquanto cibernética e internet. Eu tento mudar, de certa forma, o estilo do que escrevo, mas são temas universais: a relação do homem consigo mesmo, as dores - se bem que ultimamente não tenho escrito sobre dores, amores – eu diria que a reflexão sobre o ato da criação seja o grande ponto que eu coloco na minha escrita poética.
Já a prosa pra mim é uma coisa nova, ainda não publiquei nada a respeito. Estou escrevendo um romance há uns 3 anos, que justamente trata o homem do interior, duma cidadezinha afastada do centro urbano, da tecnologia e que vive justamente sem acesso a isso e as relações com a cidade grande.
Eu me inspiro muito em autores que pra mim são fundamentais na escrita, e quando falo da escrita poética, alguns poetas pra mim são essenciais. Eu trabalho muito a visão, o ver, o observador, e eu aprendi isso quando tive contato com a poesia do Francês Bodelaire. E na prosa, dois escritores que se tornaram fundamentais pro meu estilo – é claro que eu acabo criando o meu próprio estilo a partir deles, a gente se baseia nos mestres – foram Guimarães Rosa, que pra mim é um dos maiores escritores do mundo que já existiu, com seu estilo estético diferenciado da linguagem que ele usa, e José Saramago, pela forma como ele discute essa relação do homem com a máquina, do homem como poder, que são temas que também me interessam. Então minha produção segue esse viés.

5. What area is your literary production focused on?


Carlos Dias- Well, I like to write, both prose and poetry and I have been considered in four literature contests, so I believe that at some moment this pleased someone. I am a little hesitant to talk about what I write generally, but I think there is a certain quality to it since these contests gave me particular credit. My poetry is very contemporary, I don’t have a  relationship with rhyme and they are not love poems. Many of the themes that I use in my poetry is its own poetry, called meta-poetry, because I talk about the act of writing and also I talk about the relationship between man and machine, what is produced nowadays  as cybernetic and internet. I always try to change, in some ways, my style of writing, but there are universal themes: the relationship of man to himself, pain – although recently I’ve not written about pain, love – I would say that reflection about the act of creation is a large theme in my poetry.
Prose to me is a new thing; I’ve yet to publish anything. I've been writing a romance for 3 years about a man from the country; about a little city away from the urban center, from technology, and that lives without access to it and without this relationship with a big city.
I am inspired by a lot of authors who are fundamental to my writing, when I talke about poetry, some writers are particularly special to me. I work a lot with the point of view,  the observer and I learned this when I read Bodelaire’s poetry. In prose, two writers that became fundamental to my style – of course then I end up creating my style from them – are Guimarães Rosa, [for me] one of the greatest writers that the world knew, with his esthetic style differentiated from the language that he uses, and José Saramago, in the way that he discusses this relationship between man and machine, man as a power, themes that I am also interested in. So, my production follows these angles.

6. Recentemente você lançou um livro, CONTRADANÇA POÉTICA-POESIA E LINGUAGEM EM GUIMARÃES ROSA, e também é presidente da revista “A Palavrada”. Você poderia nos falar um pouco sobre esses dois trabalhos?

Carlos Dias-Esse livro foi um presente pra mim, porque ele é uma versão da minha dissertação de mestrado. Fui bolsista de iniciação científica e trabalhei com Guimarães Rosa durante muito tempo, com a poética, de que forma ele traz a poesia para a prosa, e fiz parte de um grupo de estudos em que fomos contemplados, no ano de 2010, com uma verba pelo CNPQ para publicação de livros da nossa pesquisa, dentro daquilo que tínhamos produzido, e o meu texto foi um dos escolhidos para ser lançado. É um livro teórico, diferente daquilo que eu produzo cotidianamente, a minha veia literária – se assim posso dizer – mas é um livro que traz muitas contribuições para o estudo da literatura e especificamente pra Guimarães Rosa. O livro foi avaliado pelo professor Benedito Nunes, um dos grandes críticos da obra de Guimarães que esteve presente em minha banca de mestrado e sugeriu que o livro fosse publicado. E em agosto de 201,o livro foi publicado  e feito lançamento em Belém e em Bragança, tendo uma boa saída. Então para mim, eu diria que o lançamento desse livro foi um dos passos mais importante da minha vida acadêmica.
E a revista “A Palavrada”, veio para mim meio de contramão. Quem teve a idéia foram as professoras Helena, Conceição e Cristina, pois queriam um espaço para publicar aquilo que os alunos escrevem em sala de aula (muitas vezes os alunos escrevem textos muito bons, que ficam sem publicação e se perdem na disciplina). Então elas me convidaram e me elegeram como presidente da revista. A partir de então, conseguimos uma verba junto à universidade e fizemos um edital, conseguimos os textos e publicamos a revista. Abrimos a revista para o curso de letras e virou “A Palavrada”. Na 1ª edição, metade dos textos é de professores e outra metade é de alunos e vai abrir possibilidade para que os alunos também possam publicar. Temos um edital aberto até o final de junho e uma comissão científica que vai trabalhar com isso tudo. Então nosso objetivo é que essa cresça, consiga atender a produção dos alunos e, é mais um reforço para o curso de letras, é mais um ponto positivo... Nem todo curso tem uma revista de qualidade como essa, apesar de ser ainda a1ª edição, e possivelmente, a próxima revista vem da nossa Pós-Graduação, duas revistas atendendo públicos diversificados. Acho que isso fica para o curso de letras como um ponto muito importante. Espero que essa revista tenha muitos anos de vida e que a qualidade dela tenda a crescer.

6. Recently you published a book, CONTRADANÇA POÉTICA: POSIA E LINGUAGEM EM GUIMARÃES ROSA, and also you are president of the magazine “A palavrada”. Could you talk about this?


Carlos Dias:  this book was a gift to me, because it is a version of my Master's dissertation.  I was a grant recipient of a science initiative and I worked with Guimarães Rosa for a long time, with the way in which he brings poetry to prose, and I became part of a group of studies that was formed in 2010 with funding from the CNPQ to publish books about our research, and my book was chosen to be produced. Its a theoretical work, different from what I usually write, outside of my literary vein – so to say – but its' a book that greatly contributes to the study of literature and particularly of Guimarães Rosa. The book was evaluated by professor Benedito Nunes, one of the great critics of Guimarães Rosa who was on my master's committee and made sure that the work was published. In August 2010, the book was published and we launched it in Belem and Bragança with a good reception. So I would have to say that publishing this book was one of the most important parts of my academic career.
As for the magazine “A Palavrada” it is kind of a new direction for me. The professors Helena, Conceição and Cristina came up with the idea, because they wanted a space to publish what their students were writing in class (it's common that students write really good work that never gets published and is lost with the subject). So they invited me and chose me as president of the magazine. Since then, we've received a budget from the university and we do an editorial, find articles and publish the magazine. We opened the magazine up for the entire Letters course, hence the name “A Palavrada.” In the first edition half the articles were from students and half from professors and it opened up the possibility for students to also publish. We have an open editorial until the end of June and a scientific commission that will work with this. So our objective is to have this grow, working with student production, and offering a reinforcement for the letters course, it's a really positive project...Not every course has a magazine of this caliber, even in this first edition, it's possible that the next magazine will work with our post-graduate department, two magazines reaching different audiences. I think that this will become a really important part of the letters course. I hope that this magazine will continue for many years and the quality will only continue to grow.

7. Muito obrigado por sua contribuição, por contar um pouco de sua produção e a sua visão sobre literatura e participado do nosso blog!

Carlos Dias-Bom, sem falta a modéstia, obrigado pela escolha; pra mim é muito importante os alunos conhecerem esse trabalho, nem que seja dessa forma mais descontraída. Aquilo que se faz, que se produz, está aqui não só como professor, mas fazer outras coisas que nos dão prazer fora da academia. É claro que dar aula, pesquisar, nos dar prazer além de ser uma obrigação... mas escrever e tudo mais, isso é muito importante, é o que nos faz viver. Obrigado, parabéns pela entrevista! Valeu!

7. Thank you so much for telling us a little about your literary production and your view on literature, and participating in our blog too!


Carlos Dias- Well, with modesty, thanks for the choice; for me it is very important that students are aware of literary production here, even in this relaxed manner. What is being done, what is being produced, that we are here not only as a teacher, but doing other things that give us pleasure outside of the university. Of course teaching and researching give us pleasure too beyond being just an obligation… but writing and whatever else is very important, it's what makes us live! Thank you, congratulations on the interview! Thanks!  



Professor Dário Benedito Fala sobre a Arte na Cidade de Bragança


Entrevista com o Prof. de História Dário Benedito,  por Marcos Lhamas e David Brito.
Interview with Professor of History Dário Benedito from the Universidade Federal do Pará


1_ O que você conhece sobre arte em Bragança no passado?
R: A arte bragantina tem uma identidade que mostra um pouco da regionalidade, da cultura, aspectos da paisagem, da natureza e principalmente do não desenvolvimento de uma técnica de pintura ou escultura. Outra coisa bem interessante é o que tá na propaganda dos jornais antigos. Pouca coisa restou, mas eu vou destacar uma senhora que foi aluna de Dom Eliseu Corolli da primeira turma do Santa Teresinha, chamada Ruth Pereira que vem a ser filha de Argentina Pereira, irmã do seu Antônio Pereira. Ela produziu quadros de uma beleza plástica muito interessante, entre os anos 40 e 50, e esses quadros estão sob o poder da família. quadros que são muito parecidos com as técnicas de Antonio Parreiras. É tudo em cor, tudo colorido. Ela apresentou os aspectos da orla, o mercado, os trabalhadores, isso no passado. Eu vi algumas dessas obras por conta dos filhos e ela não tinham isso como uma devoção, mas como hobbie. Então, pensar na arte aqui, também no passado, é pensar nas pastorinhas, um espetáculo teatral do mês de maio, é pensar nos altos do divino espírito santo, na construção de stand-artes, na festa de São Benedito, isto no século XIX e XX. As pastorinhas acabaram. Aqui em Bragança tinha o circulo do divino espirito santo que era na época de Pentecostes, era um negócio fantástico, produção de tapetes grandes etc. Agora, a produção de arte para o consumo interno, isso não aconteceu. Você tem um nome na arte de Bragança que foi muito famoso no século XX, talvez um dos mais importantes exemplos, Valdir Sarubbi, produziu coisas lindíssimas de arte dessa questão pictórica. Você tem o Miguel Lira que eu gosto muito e que é autodidata, a produção de arte com o teatro, ai você tem o exemplo do Aviz de Castro, eu trabalhei com o Aviz, eu já fui até pluft, eu fui pluft da Maria Clara Machado, você tem a música nos exemplos de seus mestres como o seu José Brito que fazia rabeca, o Geisel Melo que tem uma produção muito grande, o Benedito Luz que tá fazendo obras (telas) em preto e branco onde tem muita coisa ligada a farinha, a identidade da mandioca etc. você tem Cirene Guedes que produz poemas, você tem os artistas menores que não aparecem um pouco, que agente vê na noite, vê no barzinho etc. você tem no século XX, falando de arte no sentido da literatura, Maria Lucia Medeiros, Gerson Guimarães, Rodrigues Pinagés escrevendo sobre Bragança... então, isso tava muito evidente na questão da identidade da cidade. Arte também é o patrimônio, onde você tem no século XX os casarios, a arte arquitetônica, os desenhos neoclássicos, os prédios, a formação quadrilátera de Bragança, toda em ângulo de noventa graus, se você olhar de cima. Toda essa arte fazendo sentido pro povo, o passado da arte e o presente da arte.


1_       What do you know about art from Bragança in the past?

Art in Bragança has an identity that showcases the region, mainly aspects of culture and the natural landscape through a development of painting and sculpture. Another interesting thing are old newspaper advertisements. Few things have survived, but I will highlight one story of a woman who was a student from Dom Eliseu Coroli School from the first ever class of the Santa Terezinha Institute named Ruth Pereira who was Mrs. Angelina Pereira’s daughter and Mr. Antônio Pereira’s sister. She made some interesting paintings with extraordinarily modern beauty. Between the '40's and '50’s the rights of these paintings were held by her family. She painted the Bragança riverfront, the market, workers and canoes. I got to know her through children who told me that it was her hobby. So to think about Bragança's art until now and also in the past is to think in Pastorinhas, a theatrical spectacle in May, it’s to think of the acts of the Divino Espírito Santo [divine spirit], in stand-arts constructions, in the São Benedito festival, this is in XIX XX century. Then the pastorinhas ended. Here in Bragança we had the circle of Divino Espírito Santo which was during Pentecost time, it was a fantastic thing and a large production with big tapestries etc. If you search for examples in the cemetery, funereal art, sculpture, etc., you will find a diversity of examples. Other instances of unknown art from the XIX and XX century were band and euterpes. There were many bands like Cantídio Gouvea and the history of the “Curve of the Forest Seven” which was about the death of seven people from the same band and another called “A Furiosa.” So you can see many examples of interesting art. The Mary’s Daughters Choir from '40's, '50's, '60's and 70’s from XX century. All of them are great examples of art.

2_ Quais resquícios, dessa arte do século XIX e XX, você acha que ainda são evidentes nos dias atuais? Que influencias eles deixaram?

R: Da musica fica a partitura, tem o domínio público das musicas ligada ao circulo do São Benedito etc. Nós temos uma memória muito frágil, as pessoas não guardam essas coisas. É muito fácil destruir o passado, mas eu acho que a arquitetura é um vestígio interessantíssimo do passado. A arte funerária, por exemplo, o cemitério Santa Rosa de Lima que é de 1883. Os azulejos, os casarios, o mercado de carne que é de 1911, o Instituto Santa Teresinha que é de 40, o monsenhor Mâncio Ribeiro que é um palacete de 1931, um prédio neoclássico, a prefeitura é um exemplo disso, de 1902, e a catedral que é do século XIX. Então, isso é arte, você pode perceber a presença do homem, da sua identidade na arte.

2_      What remnants of art from the XIX and XX centuries do you think are evident nowadays? What influences did they leave?

R. From music we have the score of the São Benedito Festival. We have a very fragile memory, and people do not save everything. It’s easy to destroy the past, but I think that architecture is an interesting remnant of the past. For example, the graveyard art of the Santa Rosa de Lima cemetery from 1883, the Portuguese tiles, mansions, the 1911 meat market, the Santa Terezinha Institute from the 40’s, Monsenhor Mâncio Ribeiro's mansion from 1931 – a neoclassical building -- the prefecture is an example as well (from 1902), and the cathedral (from XIX). So this is art, the ability to see a man's past presence and identity through the art they leave behind.

3_ Existe algum tipo de apoio para esse seu trabalho de pesquisa, que é voltado para o patrimônio histórico de Bragança? Se ele está sendo divulgado?

R: Nós conseguimos uma parceria com a câmara de Bragança e Portugal, vai ser publicado uma cartilha. Recebemos o apoio da Fundação Hilário Ferreira para produção de mapas de evolução histórica. Eles já estão prontos. Nós começamos uma ligação com a literatura, buscando apoio, como o da secretaria municipal de planejamento quando começamos o projeto e agora com a secretaria de cultura onde conseguimos divulgar. Temos um trabalho escrito agora sobre arte no encontro estadual no Rio Grande do Sul. O projeto dos quatrocentos anos veio fruto de discussões jogadas no projeto de pesquisa. A Cela (casa de estudos lusoamazonicos) ajudou agente divulgar isso. Eu recebi um convite para participar de um programa de rádio do comunicador Gerson Perez Filho, agente apresenta isso pra população, pega o projeto, os dados e fala de patrimônio histórico. Recebemos uma série de feedbacks, e-mails, cartinhas, muitos telefonemas, e aí agente percebe como a história vai fazendo sentido na vida dessas pessoas, as redes sociais estão ajudando a divulgar de forma maciça aquilo que tá no blog.  O Blog, com coisas e fatos de Bragança recebeu mais de cento e trinta e cinco mil visitas. Então, eu parto desse princípio para divulgar essas coisas, lógico, tentando fazer isso de forma bem democrática e interessante.

3_      Is there some kind of support for your research which is focused on the historical heritage of Bragança? Has it been  recognized?

We have created a partnership with the city council of Bragança and Portugal, and there will be a book published about the history of Bragança. We’ve received support from the Hilário Ferreira Foundation for the production of historical evolution maps. They're actually already done. We’ve begun to work  with literature, looking for some support from the Municipal Secretary of Planning and the Secretary of Culture.  We are currently writing about the state conference of art in Rio Grande do Sul. The project of 400 years of Bragança came about from discussions of research projects and A Casa de Estudos Lusoamazônico (CELA) which has helped make this possible. I was also invited to participate in  Gerson Perez Filho’s radio program which was an opportunity to present this project to the population. We received a lot of feedback and we realize how history makes sense for people's lives; also, social networks are helping to spread the word. Our  blog has received more than 135,000 hits. So, I begin with the idea to publish this project, of course, trying to do it in a interesting and democratic way.

4_ o que esperar da sociedade, sobretudo a bragantina, com relação a sua arte, sua cultura para os próximos anos?

R: O projeto dos quatrocentos anos é algo pra mim que tem que ser discutido com a sociedade. Eu elenquei cento e onze propostas, onde apresentei todas ao poder público, a câmara. Foram propostas bem interessante. Tirar a história de Bragança do submundo. Fazer o arquivo público, construir um arquivo público sério, organizado. Eu não vou me reportar ao povo de Bragança no sentido do que eu espero desse povo, porque ele é um conjunto muito diversificado e plural, cada um vê Bragança ainda muito “umbilical”, muito sua. Eu penso algo maior, que isso tudo tem que vir na educação, a valorização de Bragança tem que tá no currículo, tem que tá no desenho, na grade curricular. E tem que partir dos nossos educadores. Agente aprende isso na universidade, no ensino médio, mas não colocamos em prática. Tá faltando atitude. É a diferença.

4_ What do you hope from society, especially Bragança, in relation to the arts and culture in the next years?
         
The Project of 400 years of Bragança is to me something that must be discussed with people from Bragança. I sent 111 proposals to the city council and I presented all of them to the public. They were very interesting. Removing the history of Bragança from the unknown and creating an organized and serious publishable file. I prefer not to tell the community of Bragança what I hope for them in the sense that this is a very diverse community, everyone views their own Bragança differently. I think on a larger scale, everything has to revolve around education, the value that Bragança places on curriculum. It's also up to our teachers. We learn things in college, in high school, but we don't put it into practice. We're missing the drive. That's the difference.      

quarta-feira, 2 de maio de 2012

UFPA levará arte e cultura para todos os campi em 2012

A Diretoria de Apoio à Cultura (DAC) da Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da Universidade Federal do Pará (UFPA) está coordenando o 3° Encontro de Arte e Cultura em Extensão. O evento passará por todos os campi da UFPA, no Estado, começando por Bragança, que o receberá  no período de 7 a 12 de maio.O diferencial deste ano é que o Encontro acontecerá, simultaneamente, com outro evento, o Multicampiartes, que, antes, ocorria separadamente.  Essas iniciativas fazem parte da política de interiorização da extensão da UFPA, que está buscando ampliar a abrangência das atividades extensionistas da Universidade no Estado.Bragança – O município de Bragança será o primeiro a receber os programas da Universidade Federal do Pará em 2012. A cidade, conhecida por possuir uma forte veia cultural, poderá, por meio dos artistas locais e dos docentes do Campus de Bragança, discutir, expor e analisar novas formas de gerir o rico patrimônio cultural da região.Leia mais clicando aqui.

Fazendinha

Em Bragança, temos uma comunidade que sobrevive de trabalhos artesanais com cerâmica, é a famosa comunidade da Fazendinha. In Bragança city there is a famous artistic district that produces hand made ceramic works, it is called the Fazendinha community. 

Entrevista Com o Artista internacional Cory

Aqui estará a entrevista do sr excelentíssimo Cory, marido da Maria Person really Cool guy!. Here will be   Maria's Husbund in a great interview. You can't loose! :)