terça-feira, 24 de julho de 2012

Escritor Prof. Msc Carlos Dias Fala Sobre A Literatura



Entrevista com o professor Carlos Dias, formado em letras pela UFPA, com habilitação em Português e Francês e mestrado em Estudos Literários...


Interview with Professor Carlos Dias, graduate in Portuguese and French Language and Letters from UFPA and post graduate work in Literary Studies...  


1. Como surgiu o interesse pela literatura?


Carlos Dias- O meu interesse pela literatura surgiu pela leitura e por esse gosto em relação a criação de universos imaginários. A literatura tem esse poder não apenas de ser um passatempo, mas de dar um prazer também para quem ler. Esse gosto pela leitura me levou a conhecer vários autores.

1. How did your interest in literature begin?


Carlos Dias- My interest for literature began by reading and this idea of creating imaginary universes. Literature has this power not only to be a hobby, but also to give a pleasure to the reader. This love of reading has guided me to read a lot of different authors.
  
2. Como você define a literatura?

Carlos Dias-Bem, como uma das artes existentes, a literatura tem suas particularidades, se não, ela seria uma forma escrita como as outras. Definir a literatura sempre foi, para a crítica e estudo literário, muito complicado. Se você observar na história desses estudos, vai ver autores que se debruçaram sobre a pergunta: O que é literatura? O que é um texto literário? Então é muito difícil dar uma resposta exata do que é literatura. Mas podemos perceber alguma coisa em torno do que é literatura: essa criação textual, que usa a língua comumente utilizada por nós de uma forma estética que dá a ela novas dimensões; também o fato de você colocar ficcionalidade naquilo que escreve. Então existe um trabalho ficcional que acaba criando um universo verossímil, como se diz na literatura.


3. 2- How do you define Literature?


Carlos Dias- Well, as one of the existing arts, literature is unique, if not it would be a form of writing like any other. Defining literature always has been very complicated for critics and in literary study. If you look at the history of these studies you’ll see authors who were desperate about the question: “What is literature? What is a literary text?” It’s so difficult to give an exact answer about what literature is. But we can define close to it: a textual creation that uses normal language in an esthetic way to create new dimensions -- using fiction to tell a story.  So a fictional work exists that ends up creating a “verisimilar” universe, as they say in literature.


4. Como você vê a literatura na cidade de Bragança?

Carlos Dias-Bem, aquilo que é produzido aqui em Bragança, o que eu já pude observar e aprender em relação ao que foi feito aqui, grande parte foi produzido nos anos 60 e 70. A gente observa naquilo que é produzido aqui em Bragança que grande parte dos poemas são voltados pra uma espécie de saudosismo em relação a uma Bragança da Belle Epoque; também há autores que falam das belezas naturais dessa região. Hoje, existe uma safra de escritores ainda não conhecidos, na sua maioria são um pouco descritivistas, mas que produzem e não atentam muito pra questão poética e acabam por retratar nesses poemas as festas, por exemplo, a marujada, o dia o dia, o trabalho na roça, são temas recorrentes na literatura bragantina.

4. How do you see literature in Bragança?


Carlos Dias- Well, what is produced here in Bragança, at least what I could observe and learn concerning about what was done, is that the majority was produced in the 60’s and 70’s. In those productions we see that the majority of poems are about  a kind of saudosismo (a feeling of nostalgia) for Bragança in the Belle Epoque time; also there are authors who talk about the natural beauty of this region. Nowadays there are many largely unknown writers, the majority of whom are very concerned with description – but their productions are not very poetic -- they describe festivals like the Marujada, or daily life, work on the farm, these are all themes relevant to Bragança's literature.



5. Sua produção literária é voltada para que área?

Carlos Dias-Bom, eu gosto muito de escrever, tanto prosa como poema e já fui contemplado em 4 concursos de literatura, então creio que em algum momento isso agradou alguém. Eu sou meio suspeito pra falar daquilo que eu escrevo, mas acho que existe certa qualidade já que essas bancas de concursos me deram esse determinado crédito. A minha poesia é muito contemporânea, eu não tenho muita relação com rima e não são poesias muito amorosas. Grande parte da temática que eu uso em minhas poesias é a própria poesia, chamado meta-poesia, pois falo do ato de escrever e também discuto bastante essa relação entre o homem e a máquina, aquilo que é produzido hoje enquanto cibernética e internet. Eu tento mudar, de certa forma, o estilo do que escrevo, mas são temas universais: a relação do homem consigo mesmo, as dores - se bem que ultimamente não tenho escrito sobre dores, amores – eu diria que a reflexão sobre o ato da criação seja o grande ponto que eu coloco na minha escrita poética.
Já a prosa pra mim é uma coisa nova, ainda não publiquei nada a respeito. Estou escrevendo um romance há uns 3 anos, que justamente trata o homem do interior, duma cidadezinha afastada do centro urbano, da tecnologia e que vive justamente sem acesso a isso e as relações com a cidade grande.
Eu me inspiro muito em autores que pra mim são fundamentais na escrita, e quando falo da escrita poética, alguns poetas pra mim são essenciais. Eu trabalho muito a visão, o ver, o observador, e eu aprendi isso quando tive contato com a poesia do Francês Bodelaire. E na prosa, dois escritores que se tornaram fundamentais pro meu estilo – é claro que eu acabo criando o meu próprio estilo a partir deles, a gente se baseia nos mestres – foram Guimarães Rosa, que pra mim é um dos maiores escritores do mundo que já existiu, com seu estilo estético diferenciado da linguagem que ele usa, e José Saramago, pela forma como ele discute essa relação do homem com a máquina, do homem como poder, que são temas que também me interessam. Então minha produção segue esse viés.

5. What area is your literary production focused on?


Carlos Dias- Well, I like to write, both prose and poetry and I have been considered in four literature contests, so I believe that at some moment this pleased someone. I am a little hesitant to talk about what I write generally, but I think there is a certain quality to it since these contests gave me particular credit. My poetry is very contemporary, I don’t have a  relationship with rhyme and they are not love poems. Many of the themes that I use in my poetry is its own poetry, called meta-poetry, because I talk about the act of writing and also I talk about the relationship between man and machine, what is produced nowadays  as cybernetic and internet. I always try to change, in some ways, my style of writing, but there are universal themes: the relationship of man to himself, pain – although recently I’ve not written about pain, love – I would say that reflection about the act of creation is a large theme in my poetry.
Prose to me is a new thing; I’ve yet to publish anything. I've been writing a romance for 3 years about a man from the country; about a little city away from the urban center, from technology, and that lives without access to it and without this relationship with a big city.
I am inspired by a lot of authors who are fundamental to my writing, when I talke about poetry, some writers are particularly special to me. I work a lot with the point of view,  the observer and I learned this when I read Bodelaire’s poetry. In prose, two writers that became fundamental to my style – of course then I end up creating my style from them – are Guimarães Rosa, [for me] one of the greatest writers that the world knew, with his esthetic style differentiated from the language that he uses, and José Saramago, in the way that he discusses this relationship between man and machine, man as a power, themes that I am also interested in. So, my production follows these angles.

6. Recentemente você lançou um livro, CONTRADANÇA POÉTICA-POESIA E LINGUAGEM EM GUIMARÃES ROSA, e também é presidente da revista “A Palavrada”. Você poderia nos falar um pouco sobre esses dois trabalhos?

Carlos Dias-Esse livro foi um presente pra mim, porque ele é uma versão da minha dissertação de mestrado. Fui bolsista de iniciação científica e trabalhei com Guimarães Rosa durante muito tempo, com a poética, de que forma ele traz a poesia para a prosa, e fiz parte de um grupo de estudos em que fomos contemplados, no ano de 2010, com uma verba pelo CNPQ para publicação de livros da nossa pesquisa, dentro daquilo que tínhamos produzido, e o meu texto foi um dos escolhidos para ser lançado. É um livro teórico, diferente daquilo que eu produzo cotidianamente, a minha veia literária – se assim posso dizer – mas é um livro que traz muitas contribuições para o estudo da literatura e especificamente pra Guimarães Rosa. O livro foi avaliado pelo professor Benedito Nunes, um dos grandes críticos da obra de Guimarães que esteve presente em minha banca de mestrado e sugeriu que o livro fosse publicado. E em agosto de 201,o livro foi publicado  e feito lançamento em Belém e em Bragança, tendo uma boa saída. Então para mim, eu diria que o lançamento desse livro foi um dos passos mais importante da minha vida acadêmica.
E a revista “A Palavrada”, veio para mim meio de contramão. Quem teve a idéia foram as professoras Helena, Conceição e Cristina, pois queriam um espaço para publicar aquilo que os alunos escrevem em sala de aula (muitas vezes os alunos escrevem textos muito bons, que ficam sem publicação e se perdem na disciplina). Então elas me convidaram e me elegeram como presidente da revista. A partir de então, conseguimos uma verba junto à universidade e fizemos um edital, conseguimos os textos e publicamos a revista. Abrimos a revista para o curso de letras e virou “A Palavrada”. Na 1ª edição, metade dos textos é de professores e outra metade é de alunos e vai abrir possibilidade para que os alunos também possam publicar. Temos um edital aberto até o final de junho e uma comissão científica que vai trabalhar com isso tudo. Então nosso objetivo é que essa cresça, consiga atender a produção dos alunos e, é mais um reforço para o curso de letras, é mais um ponto positivo... Nem todo curso tem uma revista de qualidade como essa, apesar de ser ainda a1ª edição, e possivelmente, a próxima revista vem da nossa Pós-Graduação, duas revistas atendendo públicos diversificados. Acho que isso fica para o curso de letras como um ponto muito importante. Espero que essa revista tenha muitos anos de vida e que a qualidade dela tenda a crescer.

6. Recently you published a book, CONTRADANÇA POÉTICA: POSIA E LINGUAGEM EM GUIMARÃES ROSA, and also you are president of the magazine “A palavrada”. Could you talk about this?


Carlos Dias:  this book was a gift to me, because it is a version of my Master's dissertation.  I was a grant recipient of a science initiative and I worked with Guimarães Rosa for a long time, with the way in which he brings poetry to prose, and I became part of a group of studies that was formed in 2010 with funding from the CNPQ to publish books about our research, and my book was chosen to be produced. Its a theoretical work, different from what I usually write, outside of my literary vein – so to say – but its' a book that greatly contributes to the study of literature and particularly of Guimarães Rosa. The book was evaluated by professor Benedito Nunes, one of the great critics of Guimarães Rosa who was on my master's committee and made sure that the work was published. In August 2010, the book was published and we launched it in Belem and Bragança with a good reception. So I would have to say that publishing this book was one of the most important parts of my academic career.
As for the magazine “A Palavrada” it is kind of a new direction for me. The professors Helena, Conceição and Cristina came up with the idea, because they wanted a space to publish what their students were writing in class (it's common that students write really good work that never gets published and is lost with the subject). So they invited me and chose me as president of the magazine. Since then, we've received a budget from the university and we do an editorial, find articles and publish the magazine. We opened the magazine up for the entire Letters course, hence the name “A Palavrada.” In the first edition half the articles were from students and half from professors and it opened up the possibility for students to also publish. We have an open editorial until the end of June and a scientific commission that will work with this. So our objective is to have this grow, working with student production, and offering a reinforcement for the letters course, it's a really positive project...Not every course has a magazine of this caliber, even in this first edition, it's possible that the next magazine will work with our post-graduate department, two magazines reaching different audiences. I think that this will become a really important part of the letters course. I hope that this magazine will continue for many years and the quality will only continue to grow.

7. Muito obrigado por sua contribuição, por contar um pouco de sua produção e a sua visão sobre literatura e participado do nosso blog!

Carlos Dias-Bom, sem falta a modéstia, obrigado pela escolha; pra mim é muito importante os alunos conhecerem esse trabalho, nem que seja dessa forma mais descontraída. Aquilo que se faz, que se produz, está aqui não só como professor, mas fazer outras coisas que nos dão prazer fora da academia. É claro que dar aula, pesquisar, nos dar prazer além de ser uma obrigação... mas escrever e tudo mais, isso é muito importante, é o que nos faz viver. Obrigado, parabéns pela entrevista! Valeu!

7. Thank you so much for telling us a little about your literary production and your view on literature, and participating in our blog too!


Carlos Dias- Well, with modesty, thanks for the choice; for me it is very important that students are aware of literary production here, even in this relaxed manner. What is being done, what is being produced, that we are here not only as a teacher, but doing other things that give us pleasure outside of the university. Of course teaching and researching give us pleasure too beyond being just an obligation… but writing and whatever else is very important, it's what makes us live! Thank you, congratulations on the interview! Thanks!  



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